Apresentação do Programa

 

O Estado da Bahia apresenta um dos quadros geológicos mais interessantes e diversificados do Brasil. A maior parte do Estado está contida no Cráton do São Francisco, que é uma importante unidade geotectônica e metalogenética da América do Sul, assim como recobre parte dos seus cinturões orogenéticos. Esta unidade geotectônica é responsável por uma parte significativa da produção mineral do País e permite o estudo dos seus terrenos ígneos e metamórficos, bem como das suas províncias metalogenéticas. Outro aspecto relevante é que esse Estado possui a linha de costa mais extensa do País, com a zona costeira apresentando uma grande variedade de ecossistemas e ambientes de sedimentação, incluindo aí os mais importantes edifícios coralinos do Atlântico Sul, estuários e baias, planícies de cordões litorâneos, manguezais dunas, que possuem uma história evolutiva complexa, modulada pelas variações climáticas e do nível relativo do mar durante o Quaternário.

Dentro deste quadro, A Bahia necessitava inventariar e explorar os recursos minerais, energéticos e outros recursos naturais renováveis e não-renováveis, presentes no Cráton do São Francisco, nas bacias marginais fanerozoicas e na sua zona costeira e marinha, além de compatibilizar com programas de sustentabilidade ambiental, responsáveis pela preservação de áreas com grande relevância ambiental, tal como a Chapada Diamantina e a região recifal de Abrolhos. Dentro deste contexto que foi criado o Curso de Pós-Graduação em Geologia no ano de 1976, em princípio em nível de Mestrado, com áreas de concentração em Geologia Econômica e Sedimentologia. A primeira dissertação do Programa foi defendida por Altair de Jesus Machado, atualmente professora permanente do Programa, em 1977, com a dissertação intitulada “Estudo dos sedimentos recentes e dos foraminíferos da praia de Inema” e orientada pelo Prof. Dr. Geraldo da Silva Vilas Boas.

Para a consolidação do Programa foram concebidas diversas cooperações internacionais estabelecidas com o DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdient – Alemanha), CIDA (Canadian International Development Agency), ORSTOM-IRD (Office de la recherche scientifique et technique outre-mer - Institut de recherche pour le développement - França), COFECUB e com a Republica Italiana que viabilizaram a vinda de professores e pesquisadores estrangeiros que atuaram no Programa. Essas cooperações juntamente com o apoio financeiro da FINEP, BNDE (BNDES), CNPq, CAPES e Governo do Estado da Bahia, permitiram inicialmente a formação de vários mestres nas áreas de concentração em Sedimentologia e Geologia Econômica que, em sua grande maioria, posteriormente obtiveram seus Doutorados no exterior incluindo principalmente Estados Unidos, França e Alemanha. Esses doutores quando do seu retorno ao país foram incorporados ao corpo docente do Programa, que assim alcançou estatura suficiente para a implantação do Doutorado em 1992, mantendo-se as mesmas duas áreas de concentração.

A primeira tese de Doutorado foi defendida em 1996 e intitulada “O Complexo Caraíba e a Suíte São José do Jacuípe no cinturão Salvador-Curaçá (Bahia, Brasil): Petrologia, Geoquímica e Potencial Metalogenético” orientada pelo Prof. Dr. Pierre Sabaté, através do Programa de Cooperação Técnica Brasil França/Convênio. CNPq/ORSTOM.

Em 2004, acompanhando as mudanças experimentadas nas Geociências e com o aumento das preocupações com o meio ambiente, foi realizada uma significativa reformulação na estrutura curricular do Curso, com a implantação de três áreas de concentração, assim definidas: Geologia Marinha, Costeira e Sedimentar, Petrologia, Metalogênese e Exploração Mineral e Geologia Ambiental, Hidrogeologia e Recursos Hídricos.

A criação da área de concentração em Geologia Ambiental, Hidrogeologia e Recursos Hídricos refletiu as novas tendências, com a implementação de Estudos Ambientais, entre eles o Estudo de Impacto Ambiental e seu respectivo Relatório de Impacto ambiental (EIA-RIMA) e Planos de Recuperação de Áreas Degradadas, assim como a implementação do licenciamento ambiental de atividades economicas no interior e na zona costeira. Além disso, essa área vem atender à diversas demandas do setor hídrico, uma vez que a Bahia possui importantes aquíferos cársticos, fissurais e porosos, bem como mananciais hídricos superficiais de grande relevância, como é o caso do rio São Francisco. A par disto, os conflitos decorrentes da extração mineral e ocupação da zona costeira ao longo dos anos resultaram em crescentes demandas por soluções e respostas científicas para estes conflitos por parte da Sociedade. Assim as mudanças introduzidas no programa em 2004 visaram adequar o Curso de Pós-Graduação em Geologia às estas novas demandas da sociedade, de modo a atender ao nosso objetivo de formar especialistas e realizar pesquisas que promovam a busca e a utilização dos recursos naturais do Estado, da região Nordeste e do Brasil e ao mesmo tempo oferecer soluções científicas para os críticos conflitos ambientais envolvendo a utilização desses recursos.

Ao longo dos seus 44 anos de existência, o Programa de Pós-Graduação em Geologia produziu um impacto concreto no desenvolvimento científico, socioeconômico e ambiental do Estado da Bahia e da região nordeste do Brasil, podendo-se destacar os seguintes aspectos: (i) foi o primeiro curso de Doutorado implantado no Nordeste; (ii) já diplomou conjuntamente mais de três centenas de Mestres e Doutores para atuarem na indústria mineral/petrolífera, na área ambiental e como docentes em instituições de ensino superior, federais, estaduais e privadas, e respectivos programas de pós-graduação; (iii) tem colaborado para a elaboração de políticas públicas para gestão mineral, ambiental e do território baiano e nacional; (iv) tem produzido conhecimento científico de impacto local, regional e internacional; (v) tem promovido parcerias com setores da sociedade civil com vistas a melhorar o ensino médio e fundamental na área de geociências; e (vi) recentemente, tem desenvolvido parcerias com prefeituras de municípios impactados pela atividade mineral, por meio de estudos geológicos e ambientais, que potencializem o Planejamento e Gestão Territorial.

O Programa tem uma preocupação constante em buscar aumentar sua relevância acadêmica e científica nos cenários regional, nacional e internacional através da participação em editais de agencia de fomento nacional (CAPES, FINEP, FAPESB, CNPq), seja através de projetos individuais de pesquisadores, seja através de projetos relacionados a editais para melhoria da infraestrutura, como por exemplo, o CT-Infra, bem como com parcerias internacionais. Além disso, como demonstrado neste Relatório, foram firmadas diversas parcerias institucionais com universidades nacionais e do exterior, bem como com empresas do setor produtivo visando promover o treinamento de seus funcionários, aumentar sua inserção social, bem como para o fortalecimento das ações institucionais com impacto no âmbito local, regional, nacional ou internacional.  

 

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